GLOSSARIO
Glossário — Versão Reino Eterno
Glossário lexical do projeto, separado do CLAUDE.md conforme sugerido em “Próximos passos” daquele arquivo. Reúne decisões de tradução que se repetem ao longo do Novo Testamento — termos gregos com tradução fixa, hebraísmos/expressões idiomáticas mantidas literais, e ambiguidades do original que são deliberadamente preservadas — para que a consistência entre livros não dependa só da memória de quem traduz.
Cada entrada traz pelo menos uma referência (livro capítulo.versículo) onde a decisão pode ser conferida no texto. As referências não são exaustivas — são apenas onde a decisão foi verificada no corpus atual.
Ao traduzir um novo livro: primeiro confira aqui se o termo já tem tradução fixada; se for uma decisão nova relevante para mais de uma ocorrência, adicione uma entrada.
1. Registro geral
- Pronome de tratamento: “vocês” (não “vós”). Ver pendência sobre exceções em Apocalipse na seção 5.
- Ambiguidades do texto original são reintroduzidas: quando o grego admite duas leituras e não há como decidir com segurança qual o autor tinha em mente, a tradução preserva a ambiguidade em vez de resolvê-la a favor de uma interpretação. Ver seção 4.
- Termos tradicionais/técnicos são substituídos por traduções diretas: p. ex. “servo” em vez de “diácono” — evita-se o empréstimo/transliteração consagrado pelo uso eclesiástico quando uma tradução direta do grego comunica o mesmo sentido sem pressupor uma função institucional que o texto não necessariamente especifica. Ver διάκονος na seção 2.
2. Termos gregos com tradução fixada
| Tradução adotada | Grego | Não usar | Observações | Referências |
|---|---|---|---|---|
| administração / administrador | οἰκονομία / οἰκόνομος | mordomia / mordomo | Correção em relação ao CLAUDE.md: a versão anterior do CLAUDE.md listava “mordomia” como tradução fixada; a prática efetivamente aplicada em todo o NT já traduzido usa “administração”/“administrador”. Recomenda-se atualizar o CLAUDE.md para refletir isso (ver seção 5). |
Lc 16.2-4; 1Co 4.1,2; 9.17; Ef 1.10; 3.2,9; Cl 1.25; 1Tm 1.4; Tt 1.7; 1Pe 4.10 |
| alegrar-se | χαίρω / εὐφραίνομαι | regozijar-se | “Regozijar(-se)” evitado; em Fp 2.17-18 (συγχαίρω), “alegrar-se junto”. | Lc 15.32; Jo 8.56; At 5.41; Fp 2.17-18; 1Ts 3.9 |
| almático(a) (neologismo) | ψυχικός | natural, animal, sensual | Adjetivo formado sobre ψυχή, sem equivalente direto em português; verte-se com o neologismo “almático(a)” — mantendo a mesma raiz de “vida da alma” — em vez de “natural” (1Co 2.14; 15.44,46) ou “animal”/“sensual” (Tg 3.15; Jd 19), que perderiam a ligação lexical com ψυχή e com o contraste paulino entre o “almático” (πνευματικός) e o espiritual. Nota de rodapé explica o termo na primeira ocorrência de cada livro. | 1Co 2.14; 15.44,46; Tg 3.15; Jd 19 |
| amém | ἀμήν | em verdade, verdadeiramente, certamente | Transliterado sempre como “amém”, inclusive na fórmula introdutória dos ditos de Jesus (“Amém, lhes digo”; em João, “Amém, amém, lhes digo”), em vez do tradicional “em verdade”. Não se aplica a ἀληθῶς, ἐπ᾽ ἀληθείας e ναί (ex.: Lc 4.25; 9.27; 12.44; 21.3; Ap 1.7), que mantêm sua tradução própria. | Mt 5.18,26; Mc 3.28; Lc 4.24; 23.43; Jo 1.51; 3.3,5,11; 21.18; Rm 1.25; Ap 1.6 |
| arder / expor à vergonha pública | πυρόομαι / παραδειγματίζω | abrasar-se / expor ao vexame | 2Co 11.29; Hb 6.6 | |
| beijo | φίλημα | ósculo | Apenas em nota (Rm 16.16). | Rm 16.16 |
| cajado | ῥάβδος (bordão de viagem) | bordão | Mt 10.10; Mc 6.8; Lc 9.3; Hb 11.21. Nos demais usos (vara, cetro de ferro, Ap), a tradução própria de cada contexto permanece. | Mt 10.10; Mc 6.8; Lc 9.3; Hb 11.21 |
| colheita | θερισμός | seara | “Seara” (campo de cereais) substituída por “colheita”, que corresponde ao grego. Em Mt 12.1 e Mc 2.23 (σπόριμα), “campos semeados”. | Mt 9.37-38; Ap 14.15 |
| companheiro de escravidão | σύνδουλος | conservo, colega de serviço | Composto literal de δοῦλος, para manter a mesma família de palavras. | Mt 18.29,33; Cl 1.7; 4.7; Ap 19.10; 22.9 |
| Cristo | χριστός | Messias | Ver exceção: quando o próprio grego usa a forma transliterada Μεσσίας (não Χριστός), traduz-se “Messias”, pois é o termo que o autor emprega e depois glosa. | Jo 1.41; 4.25 (exceção); todo o restante do NT (regra) |
| engordado | σιτευτός / σιτιστά | cevado | Lc 15.23,27,30; Mt 22.4 (“animais engordados”). | Lc 15.23; Mt 22.4 |
| escolhido / escolher / escolha | ἐκλεκτός / ἐκλέγομαι / ἐκλογή | eleito / eleger / eleição | Mesma raiz em português, em todas as ocorrências. Não inclui χειροτονέω (At 14.23, “eleição de presbíteros”). | Mt 22.14; Mc 13.20; Lc 18.7; Jo 15.16; At 6.5; Rm 8.33; 9.11; Ef 1.4; 1Pe 2.9; 2Pe 1.10 |
| escravo | δοῦλος | servo | Mantido mesmo quando o termo é usado como autodesignação por líderes da igreja (Paulo, Tiago) — não se suaviza para “servo”. | Rm 1.1; Tg 1.1; Tt 1.1; Cl 1.7 |
| filhinho / filhinhos | τέκνον / τέκνα | filho(s) (sozinho) | Distingue τέκνον (“descendente, criança gerada”, neutro quanto ao sexo) de υἱός (“filho”) que costuma denotar um filho crescido ou herdeiro. Vale também nos usos figurados (“filhinhos de Deus”, “da luz”, “da ira”) e nos vocativos (Mt 9.2; Lc 2.48; 15.31). Quando o contexto trata de descendência (Mt 3.9; Jo 8.39; Rm 9.7-8; Gl 4.28), traduz-se “filhos (descendentes)”. Não inclui τεκνίον (“filhinhos”), nem υἱός, que permanece “filho”. | Mt 9.2; Lc 2.48; Jo 1.12; Rm 8.16; Ef 6.1; 1Jo 3.1; Ap 12.5 |
| foi/foram adormecido(s) | κοιμάω (passivo) | dormiu / dormiram | Voz passiva preservada; distinto de καθεύδω (“dormir”). | Mt 27.52; At 7.60; 13.36; 1Co 15.6,18,20,51; 1Ts 4.14,15; 2Pe 3.4 |
| Geena (transliterado) | γέεννα | inferno | “Inferno” não é usado. Nota em Mt 5.22. | Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9; 23.15,33; Mc 9.43,45,47; Lc 12.5; Tg 3.6 |
| habitar | σκηνόω | tabernacular (neologismo, revertido) | Verbo denominativo de σκηνή (“tenda/tabernáculo”). Vertido como “habitar”, com nota de rodapé em cada ocorrência informando que o verbo é a forma verbal de “tabernáculo”. Não inclui o composto κατασκηνόω (“aninhar-se”, Mt 8.20; 13.32; Mc 4.32; Lc 9.58; 13.19; At 2.26), nem os substantivos σκηνή/σκήνωμα, traduzidos literalmente. | Jo 1.14; Ap 7.15; 12.12; 13.6; 21.3 |
| Hades (transliterado) | ᾅδης | inferno / morte / abismo | ἄβυσσος permanece “abismo”; ταρταρόω, “Tártaro”. | Mt 11.23; 16.18; Lc 10.15; 16.23; At 2.27,31; Ap 1.18; 6.8; 20.13,14 |
| homem | ἀνήρ | varão | “Varão” evitado. Em Ap 12.5,13 (ἄρσεν/ἄρρην), “menino”. | At 1.10; 2.22; 10.30; 17.31; 23.1,6; 28.17; Ap 12.5,13 |
| hosana / corbã / racá / rabi / rabuni / aba / mamom | ὡσαννά / κορβᾶν / ῥακά / ῥαββί / ῥαββουνί / ἀββά / μαμωνᾶς | tradução livre de cada termo | Palavras aramaicas ou hebraicas transliteradas no grego e mantidas transliteradas. Onde o texto grego traz o sentido (Jo 1.38; 20.16; Mc 7.11), o sentido permanece no texto. | Mt 21.9; Mc 11.9,21; 7.11; Mt 5.22; 23.7; Mc 10.51; Jo 20.16; Mc 14.36; Rm 8.15; Gl 4.6; Mt 6.24; Lc 16.9-13 |
| Logos (transliterado) | λόγος (quando designa a pessoa do Filho preexistente) | Verbo, a Palavra | Nas centenas de outras ocorrências, λόγος é traduzido normalmente (“palavra”, “mensagem”, “discurso”, “assunto” etc.); só nos poucos usos pessoais, referentes a Cristo, é transliterado “Logos” — em vez da tradução tradicional “Verbo”, que importa ao português uma conotação gramatical (categoria de palavra) ausente do grego. | Lc 1.2; Jo 1.1 (3x),14; 1Jo 1.1; Ap 19.13 |
| mistério | μυστήριον | segredo | Termo técnico paulino/apocalíptico, mantido sem paráfrase mesmo onde o sentido é mais concreto (1Co 15.51). | Mc 4.11; Rm 11.25; 16.25; 1Co 2.1,7; 15.51; Ef 3.3,4,9; Cl 1.26,27 |
| plenitude | πλήρωμα | — | Mantido como termo técnico em todas as ocorrências, inclusive nas cristológicas (Cl 1.19; 2.9) e nas de sentido mais genérico (1Co 10.28, citando o Sl 24.1). | Jo 1.16; Rm 11.12,25; 15.29; 1Co 10.28; Gl 4.4; Ef 1.10,23; 3.19; 4.13; Cl 1.19; 2.9 |
| presença | παρουσία | vinda / chegada | Estado de estar presente, não movimento. | Mt 24.3,27,37,39; 1Co 15.23; 16.17; 2Co 7.6,7; 10.10; Fp 1.26; 2.12; 1Ts 2.19; 3.13; 4.15; 5.23; 2Ts 2.1,8,9; Tg 5.7,8; 2Pe 1.16; 3.4,12; 1Jo 2.28 |
| provar / prova / provação | πειράζω / πειρασμός (e o composto ἐκπειράζω) | tentar, tentação, tentado | Raiz única em grego para os dois sentidos que o português distribui entre “prova” (teste que fortalece, cf. Gn 22.1) e “tentação” (indução ao pecado, cf. Tg 1.13-14). Normalizado para “provar”/“prova”/“provação” em todas as ocorrências, inclusive no Pai Nosso (Mt 6.13; Lc 11.4, “não nos deixes entrar em provação”) — não se cita mais “tentação” no texto principal. Onde o contexto exige claramente o sentido de indução ao pecado (Tg 1.13-14), nota de rodapé explica que ali o mesmo verbo cobre esse sentido. O epíteto substantivado ὁ πειράζων (“o tentador”) é vertido “o provador” (Mt 4.3; 1Ts 3.5). Não inclui πεῖρα (Hb 11.29,36, sentido de “tentativa/experimentar algo”, idiomático com λαμβάνω) nem ἄπειρος (Hb 5.13, “inexperiente”), tampouco os usos de πειράζω/πειράομαι no sentido de “tentar/tratar de fazer algo” (At 9.26; 16.7; 24.6; 26.21) — sentidos diferentes da mesma raiz, deixados como estavam. | Mt 4.1,3,7; 6.13; 16.1; 19.3; 22.18,35; 26.41; Mc 1.13; 8.11; 10.2; 12.15; 14.38; Lc 4.2,12,13; 8.13; 10.25; 11.4,16; 22.28,40,46; Jo 6.6; At 5.9; 15.10; 1Co 7.5; 10.9,13; Gl 4.14; 6.1; 1Ts 3.5; 1Tm 6.9; Hb 2.18; 3.8,9; 4.15; 11.17,37; Tg 1.2,12,13,14; 1Pe 1.6; 4.12; 2Pe 2.9; Ap 2.10; 3.10 |
| recompensa / recompensador | μισθός / μισθαποδότης | galardão / galardoador | Arcaísmo substituído por termo corrente, sem perda semântica. | Mt 5.12; Mc 9.41; 1Co 3.8,14; 9.17-18; Hb 11.6; 2Pe 2.13; Ap 11.18; 22.12 |
| sato | σάτον | medida (de farinha) | Medida de capacidade aramaica (סְאָה), com nota de rodapé. | Mt 13.33; Lc 13.21 |
| servo / serva | διάκονος | diácono / diaconisa | Tradução direta (ver seção 1). Em Rm 16.1 a ambiguidade entre sentido geral e designação de função é preservada — ver seção 4. | Rm 16.1; Ef 3.7; 6.21; Cl 1.7,23,25; 1Tm 4.6 |
| shabat (transliterado) | σάββατον / σάββατα | sábado | O grego σάββατον já é, ele mesmo, uma transliteração do hebraico שַׁבָּת (shabbat); “sábado” (português) nomeia o dia do calendário civil atual (meia-noite a meia-noite), que não coincide com o dia hebraico (pôr do sol de sexta ao pôr do sol de sábado). Por isso se prefere a transliteração “shabat”/“shabats” à tradução tradicional, tanto nas ocorrências diretas (“no shabat”, “os shabats”) quanto no hebraísmo de contagem de dias da semana a partir do shabat (μία/πρώτη σαββάτου·ων, “o primeiro [dia] do shabat” → “o primeiro dia depois do shabat”), com nota de rodapé explicando essa contagem na primeira ocorrência de cada capítulo. Exceção: Lc 18.12 (δὶς τοῦ σαββάτου, “duas vezes do shabat”) mantém “duas vezes por shabat” com nota, evitando a leitura literal equivocada de dois jejuns num único dia de shabat (o que contradiria a prática judaica de não jejuar no shabat). | Mt 12.1s; 24.20; 28.1; Mc 1.21; 2.23s,27s; 3.2,4; 6.2; 15.42; 16.1s,9; Lc 4.16,31; 6.1s,5-9; 13.10,14-16; 14.1,3,5; 18.12; 23.54,56; Jo 5.9s,16,18; 7.22s; 9.14,16; 19.31; At 1.12; 13.14,27,42,44; 15.21; 16.13; 17.2; 18.4; 20.7; 1Co 16.2; Cl 2.16 |
| sicera | σίκερα | bebida fermentada | Bebida embriagante aramaica (שֵׁכָר), com nota de rodapé. | Lc 1.15 |
| vida da alma | ψυχή | alma, vida (sozinhos) | Substantivo normalizado em todas as ocorrências (singular e plural) para “alma”/“vida (das almas)”, preservando ao mesmo tempo os dois sentidos que o grego cobre com uma só palavra (“alma” e “vida física”) em vez de escolher um deles como o português normalmente exige. Vale tanto para pessoas quanto, por extensão, para seres viventes em geral (Ap 8.9; 16.3). Não inclui os compostos de raiz diferente — δίψυχος (“de ânimo dobre”, Tg 1.8; 4.8), σύνψυχος (“unidos de alma”, Fp 2.2), ἰσόψυχος (“de igual sentimento”, Fp 2.20), εὐψυχέω (“animar-se”, Fp 2.19), ἀποψύχω (“desfalecer”, Lc 21.26) — nem ψυχρός (“frio”, palavra de raiz distinta apesar da semelhança gráfica: Mt 10.42; Ap 3.15s). | Mt 2.20; 6.25; 10.28,39; 11.29; 12.18; 16.25s; 20.28; 22.37; 26.38; Mc 3.4; 8.35-37; 10.45; 12.30; 14.34; Lc 1.46; 2.35; 6.9; 9.24; 10.27; 12.19s,22s; 14.26; 17.33; 21.19; Jo 10.11,15,17,24; 12.25,27; 13.37s; 15.13; At 2.27,41,43; 3.23; 4.32; 7.14; 14.2,22; 15.24,26; 20.10,24; 27.10,22,37; Rm 2.9; 11.3; 13.1; 16.4; 1Co 15.45; 2Co 1.23; 12.15; Ef 6.6; Fp 1.27; 2.30; Cl 3.23; 1Ts 2.8; 5.23; Hb 4.12; 6.19; 10.38s; 12.3; 13.17; Tg 1.21; 5.20; 1Pe 1.9,22; 2.11,25; 3.20; 4.19; 2Pe 2.8,14; 1Jo 3.16; 3Jo 1.2; Ap 6.9; 8.9; 12.11; 16.3; 18.13s; 20.4 |
3. Hebraísmos e expressões idiomáticas mantidas literais
Mantidos literais no texto principal, com a interpretação explicada em nota de rodapé onde necessário — não parafraseados no corpo do texto.
| Expressão | Referência | Sentido |
|---|---|---|
| “o Filho do seu amor” | Cl 1.13 | Genitivo hebraizante: “o Filho a quem ele ama” |
| “entranhas de misericórdia” | Cl 3.12 | Sede das emoções/compaixão, à moda semítica |
| “os membros que são da terra” | Cl 3.5 | As partes do corpo/a natureza voltadas às paixões terrenas |
| “filhos da desobediência” | Cl 3.6 | Hebraísmo de qualidade: “os desobedientes” |
| “meu rosto em carne” | Cl 2.1 | “Pessoalmente”, “face a face” |
Levantamento feito a partir de Colossenses, o primeiro livro concluído do projeto. Como o restante do NT já foi traduzido mas ainda não recebeu esse mesmo levantamento sistemático, é provável que existam mais hebraísmos equivalentes nos demais livros — adicionar aqui à medida que forem identificados ou revisados.
4. Ambiguidades intencionalmente mantidas
Casos em que o grego é ambíguo entre duas leituras e a tradução preserva a ambiguidade em vez de decidir por uma delas.
- “Serva” (Rm 16.1) — διάκονον τῆς ἐκκλησίας (a respeito de Febe): pode ser lido tanto no sentido geral (“serva”) quanto como designação de função na igreja (“diaconisa”). Mantido como “serva”, mas a nota de rodapé explicita a ambiguidade.
- “Sirvo” (Lc 15.29) — δουλεύω σοι: o verbo é da mesma raiz de δοῦλος e pode indicar serviço de caráter servil/escravo, não apenas serviço em geral. Mantido como “sirvo”, preservando a leitura de que o filho mais velho descreve sua relação com o pai em termos de servidão.
5. Pendências a revisar
CLAUDE.mddesatualizado quanto a οἰκονομία: ver a entrada de “administração” na seção 2 — oCLAUDE.mdainda lista “mordomia” como termo fixado; a tradução real usa “administração”. Atualizar oCLAUDE.mdpara não divergir do texto.
6. Modernização de expressões arcaicas (revisão de 2026)
Levantamento feito em todo o NT já traduzido, substituindo expressões e construções arcaicas por equivalentes correntes sempre que isso não reduzisse a formalidade do texto. Casos tratados:
- “Arrazoar” (verbo arcaico, do substantivo “razão”): substituído conforme o sentido em cada ocorrência — “pensar” para o raciocínio interior de alguém consigo mesmo ou “em seu coração” (Lc 5.21-22; 12.17; Mc 2.6,8), “deliberar” para a discussão coletiva de um grupo (Lc 20.5,14), e “discorrer” onde o mesmo verbo grego (διαλέγομαι) já era traduzido assim em outras ocorrências do próprio livro (At 17.2, alinhado com At 17.17 e At 18.4).
- “É mister” → “é necessário” (At 20.35).
- Futuro mesoclítico (“dar-se-lhe-á”, “perdê-la-á”, “mostrar-te-ei” etc.): substituído por construções correntes com o pronome antes do verbo (“lhe será dado”, “a perderá”, “te mostrarei”), preservando o mesmo tempo verbal e o mesmo grau de formalidade — a mesóclise não é mais usada na língua corrente, nem escrita nem falada. Ocorrências espalhadas por Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Romanos, 1–2 Coríntios, Hebreus, Tiago e Apocalipse.
- “Porquanto” (conjunção causal arcaica) → “pois”, mantendo o mesmo sentido causal com uma palavra de uso corrente. Ocorrências em Atos, Romanos e Apocalipse.
- Pronome “vós”/“vos”/“convosco” e concordâncias associadas (“vossa”, “tende”, “crede”, “fostes” etc.): substituídos por “vocês”/“com vocês” e pela concordância verbal correspondente (3ª pessoa do plural), em todas as ocorrências remanescentes. Afetava Mateus, João, Atos e Apocalipse.
Não foram alteradas expressões formais ainda correntes no português de hoje, mesmo que de registro elevado (ex.: “porventura”, “outrora”), por não serem propriamente arcaicas.