Tg 03
1
Não se tornem muitos mestres, meus irmãos, sabendo que receberemos um juízo mais severo.[1]
2
Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no que diz, é homem perfeito, capaz de refrear também todo o corpo.
3
Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, também dirigimos todo o corpo deles.
4
Vejam também os navios: sendo tão grandes, e impelidos por ventos impetuosos, são dirigidos por um pequeníssimo leme, para onde quer o impulso daquele que os governa.
5
Assim também a língua é um pequeno membro, mas se gaba de grandes coisas. Vejam como um pequeno fogo incendeia uma grande floresta!
6
E a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. A língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e incendeia o curso da existência, sendo ela mesma incendiada pela Geena.
7
Pois toda espécie de feras, e de aves, e de répteis, e de animais marinhos se doma e tem sido domada pela espécie humana;
8
mas nenhum dos homens pode domar a língua. É um mal irrefreável, cheia de veneno mortífero.
9
Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
10
Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que assim seja.
11
Acaso deita a fonte, pela mesma abertura, água doce e amarga?
12
Pode, meus irmãos, a figueira produzir azeitonas, ou a videira, figos? Tampouco uma fonte salgada pode dar água doce.
13
Quem entre vocês é sábio e entendido? Mostre, pelo seu bom comportamento, as suas obras, com mansidão de sabedoria.
14
Mas, se vocês têm no coração amarga inveja e sentimento faccioso, não se gloriem, nem mintam contra a verdade.
15
Essa não é a sabedoria que desce do alto; antes, é terrena, almática[2] e demoníaca.
16
Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra perversa.
17
Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia.
18
Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz, para os que promovem a paz.
3.1 — O grego κρίμα (“juízo”) é termo mais amplo do que κατάκρισις (“condenação”): designa o processo e o veredito do julgamento, cuja severidade corresponde ao grau de responsabilidade de quem é julgado — daí o alerta específico a quem ensina. ↩︎
3.15 — ψυχική, adjetivo formado sobre ψυχή («alma/vida»), traduzido aqui e em outras ocorrências por «almática»: designa uma sabedoria que não passa da vida da alma natural, sem o Espírito de Deus — em contraste com a sabedoria «que desce do alto». ↩︎