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015. Tratamento de Mulheres

🔖 Notas_de_estudo, Apologética_e_história, Objeções_ao_Cristianismo

1. Igualdade ontológica total entre homens e mulheres

Complementaristas afirmam que a base bíblica é:

Gênesis 1:2 - ALMEIDA

2. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

Gálatas 3:28 - ALMEIDA

28. Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

Ou seja: a diferença de papéis não implica diferença de valor.

Eles dizem que a crítica moderna muitas vezes confunde:

“Papéis diferentes” com “valor menor”.

2. O comportamento de Jesus como evidência central

Complementaristas frequentemente mostram que Jesus foi radicalmente contracultural no trato com mulheres:

Lucas 8:1-3 - ALMEIDA

1. Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze, 2. bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios. 3. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens.

Lucas 7:36-50 - ALMEIDA

36. Um dos fariseus convidou-o para comer com ele; e entrando em casa do fariseu, reclinou-se à mesa.
37. E eis que uma mulher pecadora que havia na cidade, quando soube que ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com bálsamo; 38. e estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés e ungia-os com o bálsamo.
39. Mas, ao ver isso, o fariseu que o convidara falava consigo, dizendo: Se este homem fosse profeta, saberia quem e de que qualidade é essa mulher que o toca, pois é uma pecadora.
40. E respondendo Jesus, disse-lhe: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Respondeu ele: Dize-a, Mestre. 41. Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentos denários, e outro cinquenta. 42. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?
43. Respondeu Simão: Suponho que é aquele a quem mais perdoou.
Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem.
44. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta com suas lágrimas os regou e com seus cabelos os enxugou. 45. Não me deste ósculo; ela, porém, desde que entrei, não tem cessado de beijar-me os pés. 46. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta com bálsamo ungiu-me os pés. 47. Por isso te digo: Perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.
48. E disse a ela: Perdoados são os teus pecados.
49. Mas os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?
50. Jesus, porém, disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

A interpretação complementarista é:

“Jesus elevou as mulheres muito acima do padrão cultural da época.”
“Qualquer acusação de misoginia ignora o contexto histórico.”

3. Sobre textos polêmicos (1Tm 2, 1Co 11, Ef 5, 1Pe 3)

Complementaristas costumam responder assim:

(a) Os textos não são mecanismos de opressão, mas de ordem, função e simbolismo teológico

(b) Esses textos enfatizam responsabilidades sacrificiais dos homens:

EmEfésios 5:

Complementaristas dizem que:

“A liderança masculina bíblica não é dominação, mas serviço sacrificial orientado ao bem-estar da mulher.”

Eles costumam distinguir:

4) As críticas vêm muito da leitura moderna, não da bíblica

Complementaristas alegam que as acusações geralmente assumem pressupostos modernos:

“A cultura moderna vê qualquer distinção de papéis como injustiça.
A Bíblia vê distinção sem inferiorização.”

Contra-acusações típicas dos complementaristas

📌 1) O complementarismo não é o problema — o patriarcado pecaminoso é.

Sempre que há abuso, opressão ou silenciamento de mulheres isso não é “complementarismo bíblico, mas distorção, pecado e uso indevido de autoridade.

📌 2) Igualitarismo moderno também tem problemas

Alguns complementaristas argumentam que o igualitarismo minimiza diferenças biológicas reais,
enfraquece estruturas de família e lê o texto bíblico por meio de lentes culturais atuais.

Complementaristas admitem falhas históricas do cristianismo?

A maioria admite que:

“Isso não é culpa da Bíblia, e sim dos seres humanos pecadores.”
“Onde o cristianismo é praticado conforme Cristo, mulheres são valorizadas, honradas e protegidas.”

Enfoque apologético típico

Complementaristas apologéticos costumam seguir este raciocínio:

  1. Jesus dignifica as mulheres muito mais do que qualquer figura religiosa da época.
  2. O cristianismo histórico elevou o status das mulheres (fim do infanticídio feminino, viuvez forçada, prostituição cultual etc.).
  3. A crítica moderna é anacrônica (julga o passado com valores do séc. XXI).
  4. A Bíblia não dá autoridade ilimitada aos homens, mas exige responsabilidade e sacrifício.
  5. Nada no NT diminui inteligência, espiritualidade ou liderança feminina, apenas estabelece papéis.

1. Gavin Ortlund

É um teólogo/apologista que tende a adotar uma postura complementarista moderada; ele enfatiza igualdade ontológica entre homens e mulheres, reconhece distinções funcionais dadas por textos como Efésios 5 e 1 Timóteo 2, e costuma pedir humildade hermenêutica e “triagem teológica” (distinguir questões essenciais das não-essenciais). Ele também destaca como Jesus elevou mulheres no seu contexto cultural.

Recursos-chave:

2. Mike Winger

É conhecido por uma série longa e detalhada sobre Women in Ministry na qual defende uma leitura complementarianista tradicional em vários textos difíceis (1 Timóteo 2, 1 Coríntios 14, etc.). Seu estilo é exegético e didático, e gerou respostas e críticas extensas de egalitarios e de críticos de sua interpretação.

Recursos-chave:

3) Glen (Glenn) Scrivener — postura e recursos

É mais conhecido por trabalhos evangelísticos e por livros que defendem que valores como igualdade e compaixão têm raízes cristãs; não é um técnico exegético sobre papéis de gênero, mas costuma argumentar que o cristianismo foi transformador para o estatuto das mulheres historicamente. Em debates públicos ele defende que o ensino cristão elevou a dignidade feminina em muitos contextos.

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4. Wes (Wesley) Huff

Aparece principalmente como apologeta público (apologética aplicada) e não tanto como autor técnico sobre papéis de gênero. Ele tem participação em canais e entrevistas onde trata de apologética e às vezes de cultura e gênero, mas não é o principal autor de referência quando o assunto é exegese de 1 Timóteo/Efésios. Ainda assim, quando perguntado, tende a alinhar-se com uma defesa tradicional/conservadora da ordem bíblica, enfatizando competências apologéticas.

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5. Yago Martins — postura e recursos (autor brasileiro)

Autor brasileiro que tratou diretamente de mulheres e igreja em um livro recente. Diferentemente dos autores anglófonos citados, Martins tem escritos voltados para o contexto brasileiro/latino — e o título indica uma crítica/descrição prática de como igrejas silenciam mulheres. A perspectiva dele (pelo título) é de denúncia/avaliação crítica das práticas eclesiásticas; portanto, seu trabalho é especialmente útil para ver críticas internas e consequências pastorais do complementarismo aplicado.

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6) Panorama teológico geral

Posição teológica base: Igualdade ontológica (imagem de Deus + redenção em Cristo) + distinção funcional (papéis diferenciados em família/igreja). Recursos introdutórios que explicam essa posição: Crossway (5 Myths about Complementarianism) e artigos da The Gospel Coalition explicando complementarismo vs igualitarismo. 
Argumentos apologéticos típicos usados para responder às acusações:

  1. Jesus elevou mulheres no seu contexto (João 4; testemunhas da ressurreição).
  2. Diferença de papéis não é desigualdade ontológica.
  3. Abusos e patriarcado são distorções humanas, não o ideal bíblico.
  4. Interpretar textos difíceis exige leitura do contexto histórico/gramatical e triagem teológica — distinguir o que é central e o que é adiável. (Veja Ortlund e TGC).
👨‍💼 Adam Foerster