Capítulo 7 - Certeza para os homens
🔖 Plena_Certeza, publicationEm última análise, o verdadeiro fundamento para essa certeza, não apenas da salvação individual de cada crente, mas também da eventual realização do plano divino em sua totalidade, repousa unicamente na ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é enfatizado pelo apóstolo Paulo em seu grande sermão dirigido aos filósofos atenienses no Areópago, conforme registrado em Atos 17. Ali, após apontar a irracionalidade e a perversa insensatez da idolatria, ele declarou a verdade a respeito do Deus Desconhecido, o Criador do céu e da terra, e acrescentou: “Ora, não levando Deus em conta os tempos da ignorância, agora ordena a todos os homens, em todos os lugares, que se arrependam; porque estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17:30, 31).
Ele próprio havia recebido prova ocular da ressurreição da qual falava. O Cristo ressuscitado apareceu a ele quando caiu ao chão na estrada de Damasco, tomado por uma luz sobrenatural vinda do céu. E naquele mesmo momento havia muitas testemunhas vivas do maior milagre de todos os tempos, pois, ao escrever à igreja de Corinto, alguns anos depois de sua visita a Atenas, ele enumerou mais de quinhentas pessoas que podiam dar testemunho positivo da ressurreição de nosso Senhor, “das quais”, acrescentou, “a maioria ainda vive até o presente momento, mas alguns já morreram” (1 Coríntios 15:5, 6).
Horace Bushnell declarou que a ressurreição de Jesus Cristo é o fato mais bem atestado da história antiga. Pense nas fontes autorizadas para qualquer outro evento extraordinário e compare-as com as provas da ressurreição, e você perceberá a justiça dessa afirmação.
Os autores dos quatro Evangelhos eram homens da mais sincera piedade e probidade, como atestam suas obras. Eles se unem para dar testemunho incondicional da ressurreição de Cristo. Os outros escritores do Novo Testamento, Paulo, Tiago, Pedro e Judas, definitivamente mencionam ou claramente insinuam o mesmo fato glorioso. Todos eles falam de Cristo Jesus como o Vivente, que morreu uma vez pelos nossos pecados. Sobre qual outro evento histórico antigo pode ser citado o testemunho de tantas testemunhas oculares?
Até mesmo os inimigos do evangelho deram um testemunho involuntário da ressurreição, por meio de seus esforços desajeitados para interpretar a seu favor o sepulcro vazio naquele primeiro domingo de Páscoa. Eles sabiam que Jesus havia predito que ressuscitaria em três dias, e por isso foram a Pilatos exigindo que medidas fossem tomadas para impedir que Seus discípulos roubassem o corpo de seu Mestre. Pilatos lhes deu guardas e ordenou que o túmulo fosse selado, acrescentando sombriamente: “Façam com que seja o mais seguro possível!”. Mas todos os seus esforços foram em vão. Quando chegou a hora marcada, mãos angelicais romperam o selo imperial romano e removeram a pedra, revelando uma cripta vazia — o corpo não estava lá. Certamente nenhum de Seus inimigos profanou aquele túmulo. Eles estavam determinados a manter o corpo de Jesus ali pelo tempo que fosse necessário. E se pudessem ter apresentado aquele corpo mais tarde, a fim de refutar a mensagem da ressurreição, certamente o teriam feito.
E é absurdo acreditar na história difundida pelo astuto sacerdócio de que Seus discípulos vieram à noite e roubaram Seu corpo, pois nem mesmo eles “conheciam a Escritura, que era necessário que Ele ressuscitasse dentre os mortos”. O mais surpreendente é que Seus inimigos se lembraram do que Seus amigos haviam esquecido. O túmulo vazio foi um choque tão grande para aqueles que amavam Jesus quanto um presságio temível para aqueles que O odiavam.
01. A ressurreição corporal real de Cristo
Somente as aparições pessoais do Cristo ressuscitado os convenceram da realidade de Sua ressurreição. Os quarenta dias durante os quais Ele lhes apareceu em muitas ocasiões, instruindo-os acerca do reino de Deus, forneceram ampla prova de que Ele realmente havia triunfado sobre a morte, e esse fato glorioso lhes deu a confiança que os capacitou a resistir a toda oposição, testemunhando a todos que Deus havia ressuscitado Seu corpo dentre os mortos. Eles O viram sendo elevado ao céu naquele mesmo corpo e, após receberem o revestimento pentecostal, andaram por toda parte testemunhando com grande poder a ressurreição de seu Senhor.
Esta é a mensagem fundamental da Igreja. Aquele que morreu pelos nossos pecados vive novamente para a nossa justificação. A ressurreição do corpo material de carne e ossos é a prova de que Deus está satisfeito com a obra redentora de Seu Filho. Ela declara que Deus agora pode ser justo e justificador daquele que crê no Senhor Jesus. Dizer que, embora Cristo esteja morto quanto ao corpo, Ele está vivo quanto ao espírito não basta. Isso poderia ser verdade para qualquer pessoa. Isso não seria evidência de satisfação divina em Sua obra.
Há alguns anos, um eloquente pregador de Nova York, que nega a ressurreição física do Salvador, declarou: “O corpo de Jesus ainda repousa em um túmulo desconhecido na Síria, mas Sua alma continua marchando a vante!” Muitos aplaudiram isso como uma explicação maravilhosa da influência de Jesus ao longo dos séculos. Mas é totalmente falso e falacioso. Se o corpo de Jesus ainda repousa na sepultura, Ele não era o que professava ser e é impotente para salvar.
Essa heresia (pois é uma heresia) não é nova. Ela se tornou prevalente em certos círculos, mesmo nos tempos apostólicos, como prova 1 Coríntios 15. Na igreja de Corinto, havia alguns que aceitavam os ensinamentos dos saduceus e negavam a realidade de uma ressurreição literal. Paulo os desafia severamente com as conhecidas palavras: “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos? Mas, se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã também a vossa fé. E, além disso, somos considerados falsas testemunhas de Deus, porque testificamos de Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, Cristo não ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, vã é a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:12-19).
Eis aqui uma lógica sólida, de fato, e inspirada pelo Espírito Santo. Se Cristo não ressuscitou, não temos evangelho para pregar, e não há mensagem de libertação para os pobres pecadores perdidos, aprisionados pelas correntes da iniquidade. A fé em um Cristo morto não salvará ninguém. O evangelho é a força de Deus para a salvação, pois proclama um Redentor vivo e amoroso que aguarda para manifestar o Seu poder em favor de todos os que nEle confiam.
02. O que a ressurreição de Cristo atesta
Observemos, então, atentamente o que a Palavra de Deus nos diz sobre esta gloriosa verdade.
Primeiro: A ressurreição do Senhor Jesus atesta a veracidade de Suas afirmações concernentes à Sua pessoa divina e à Sua missão. Aos Seus inimigos, Ele disse: “Destruam este templo, e em três dias eu o reconstruirei”. Mas Ele se referia ao templo do Seu corpo. Aos Seus discípulos, Ele declarou: “Ninguém a tira de mim (a minha vida), mas eu a dou por minha própria vontade. Tenho poder para dá-la e para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai”. Ele lhes disse claramente que o Filho do Homem deveria ser entregue nas mãos de pecadores, e acrescentou: “Eles o açoitarão e o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará” (Lucas 18:33).
Portanto, se Ele não tivesse saído do túmulo em um corpo físico ressuscitado, de carne e ossos, tudo o que Ele afirmou a respeito de Si mesmo e do Seu poder salvador seria invalidado. Mas Ele não falhou! Não era possível que Ele fosse retido na morte. Ele cumpriu Sua Palavra ressuscitando ao terceiro dia.
Segundo: Sua ressurreição atesta a veracidade das escrituras proféticas. O Antigo Testamento está repleto de profecias sobre a morte e ressurreição do Messias. No Salmo 16, Davi profetizou a respeito dEle: “Não deixarás a minha alma no inferno (Sheol, ou Hades, a morada dos mortos); nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção”. Tanto Pedro quanto Paulo nos mostram que essa passagem teve seu cumprimento na ressurreição de Cristo.
Isaías escreveu setecentos anos antes de Seu nascimento: “Quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua descendência, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos” (Isaías 53:10). Eis uma declaração notável. A morte não encerraria as atividades do Servo de Jeová. Depois de ter dado a Sua vida como oferta pelo pecado, Ele prolongaria os Seus dias e, assim, na ressurreição, seria o Administrador do grande plano de Deus para a bênção da humanidade.
Terceiro: A ressurreição do Senhor Jesus foi a demonstração do poder onipotente em nosso favor. Em Efésios 1:17-23, encontramos a oração do apóstolo por todos os crentes. Ele pede que os olhos do coração deles sejam abertos, para que conheçam a esperança do seu chamado; as riquezas da glória da sua herança nos santos; e a “excepcional grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da sua poderosa força, que ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos”. A mesma poderosa energia que foi usada para vivificar o corpo de Jesus e ressuscitá-lo dentre os mortos é o poder que vivifica as almas mortas para uma nova vida e energiza os filhos de Deus, capacitando-os a viver, mesmo aqui na terra, uma vida celestial de vitória sobre o pecado, enquanto caminham em comunhão com Ele sob o controle do Seu Espírito Santo.
Quarto: A ressurreição de Cristo é a prova de que a questão do pecado foi resolvida para a satisfação de Deus. Na cruz, nossos pecados foram colocados sobre Ele. Ele voluntariamente aceitou a responsabilidade por eles. Ele os carregou em Seu próprio corpo no madeiro. “Ele foi entregue por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:25). Quando Deus ressuscitou Seu Filho dentre os mortos, foi a maneira que Ele encontrou de expressar o reconhecimento da perfeição de Sua obra consumada. Se o pecado não tivesse sido para sempre removido, Ele jamais teria saído daquele túmulo; mas, tendo pago por nós o último centavo, a morte não tinha poder sobre Ele. Ao ressuscitá-Lo, Deus declarou a todas as inteligências criadas Sua plena aprovação e aceitação da obra de Seu bendito Filho.
Quinto: A ressurreição de Cristo é, portanto, a garantia para o pecador que crê de que seu registro agora está limpo. O próprio Deus não tem nenhuma acusação contra aquele que deposita sua confiança em Jesus. Assim, lemos em Romanos 8:32-34: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou melhor, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” Observe que nenhuma voz pode agora se levantar para condenar aquele que descansa na obra consumada de Cristo. Sua morte e ressurreição impedem eficazmente que a questão do pecado seja levantada novamente, no que diz respeito a qualquer crente. A ressurreição é como um recibo de pagamento integral. Na cruz, a enorme dívida que tínhamos foi quitada. Um Cristo ressuscitado nos diz que todas as nossas obrigações foram cumpridas e Deus não tem nada contra o crente.
“Agora vemos na aceitação de Cristo
Mas a medida da nossa própria,
Aquele que estava sob a nossa condenação
Assentado no alto do trono.”
Sexto: Sua ressurreição é o sinal de que, por meio dEle, Deus julgará o mundo. Esse julgamento se baseia na atitude do homem para com Aquele a quem o Pai se deleita em honrar. Se os homens O receberem como Senhor e Salvador, jamais terão que prestar contas de seus pecados, pois Ele foi julgado em seu lugar. Mas se os homens O rejeitarem e desprezarem Sua graça, não apenas terão que responder perante Ele por todos os seus pecados, mas, além de tudo, serão julgados por rejeitarem Aquele que morreu para salvá-los.
Por fim: É a Sua ressurreição que, e somente ela, dá validade à mensagem do evangelho e liberta o crente do temor da morte. Voltando agora para 2 Timóteo 1:8-10, lemos esta importante admoestação: “Não te envergonhes, pois, do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro; antes, participa dos sofrimentos do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não por causa das nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça, a qual nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho.”
Não leiam estas palavras de forma descuidada. Leiam-nas repetidamente, até que sua força, sua solenidade e seu valor tenham tocado profundamente suas almas. Toda a nossa salvação depende da verdade de que nosso Salvador, Jesus Cristo, aboliu (isto é, anulou o poder da) morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho. Ele desceu às trevas da morte. Todas as suas ondas e vagas o envolveram. Mas Ele ressuscitou para a vida eterna, para nunca mais morrer. E assim, para nós, as águas deste Jordão recuaram, e há um caminho seco através da morte para todos os que creem. Ouçam Suas palavras triunfantes: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá. Crês tu nisso?” (João 11:25, 26). Não responde o teu coração: “Sim, Senhor, eu creio; repouso a minha alma para sempre no Teu testemunho seguro e Te confesso como meu Salvador e meu Senhor”?
03. A certeza de que Cristo ressuscitou
É assim que Deus dá segurança a todos os homens, ao ressuscitar Cristo dentre os mortos. Se Satanás tentar desencorajá-lo, ocupando-o com sua própria indignidade e suas falhas evidentes, não tente argumentar com ele, mas olhe para o trono de Deus e contemple Aquele que ressuscitou, que outrora crucificou uma vítima sangrenta na cruz da vergonha, e cujo corpo sem vida outrora jazia no túmulo novo de José. Lembre-se, Ele não poderia estar lá na glória se um só pecado permanecesse sem ser resolvido. Portanto, todo crente pode cantar com segurança:
“O Senhor ressuscitou, com Ele nós também ressuscitamos,
E em Sua morte vemos vencidos todos os nossos inimigos.
O Senhor ressuscitou, estamos além da condenação
De todos os nossos pecados, através do túmulo vazio de Jesus.”
O jovem convertido estava certo, pois disse, quando esta verdade lhe foi revelada pelo Espírito: “Se alguém for impedido de entrar no céu por causa dos meus pecados, esse alguém será Jesus, pois Ele os tomou sobre Si e se tornou responsável por eles. Mas Ele já está no céu, de onde jamais será expulso, então agora sei que estou seguro enquanto Ele viver, Aquele que morreu em meu lugar.” Isso expressa exatamente a minha fé, pois a fé é simplesmente dizer “Amém” ao que Deus revelou em Sua Palavra. O crente confirma que Deus é verdadeiro e, assim, fundamenta toda a sua fé, para a eternidade, no fato de que Cristo, que morreu pelos nossos pecados na cruz da vergonha, ressuscitou para a vida eterna.
É notável que toda a Trindade esteja envolvida neste maravilhoso evento, e cada Pessoa divina participou da ressurreição do nosso Senhor dentre os mortos.
Como já vimos, a Sua ressurreição é atribuída a Ele mesmo: “Eu dou a minha vida para a reassumir.” Novamente Ele disse: “Destruam este templo, e em três dias eu o reconstruirei”.
Também é atribuído ao Pai: “O Deus da paz, que trouxe de volta dentre os mortos o nosso Senhor Jesus, o grande pastor das ovelhas”.
O Espírito Santo é igualmente reconhecido como o Agente direto na realização deste estupendo milagre: “E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também vivificará os vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que em vós habita”.
Assim, cada Pessoa da Trindade se preocupa em proclamar o testemunho de Jesus e Sua ressurreição a homens e mulheres em todos os lugares — aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados, até serem vivificados pelo mesmo poder que ressuscitou nosso bendito Senhor e O colocou à direita de Deus nas alturas.
“Aquele que sentiu o Espírito do Altíssimo,
Não pode confundi-lo, duvidar dele ou negá-lo:
Sim, em uma só voz, ó mundo, ainda que o negues,
Fica então desse lado, pois deste lado estou”